Segunda-feira, Abril 17, 2006

O Terceiro Setor no Quinto dos Infernos


[quero deixar bem claro que o discurso a seguir se aplica aos que não têm boas intenções ao gerirem suas Ong´s. A quem é honesto, evidentemente não se aplica!]


O Dicionário Houaiss diz que a expressão "mandar para o quinto dos infernos" provavelmente vem de “‘ir na nau dos quintos’ ou ‘ir degredado para o Brasil’ (a nau dos quintos era a que levava à metrópole o imposto de 20% sobre os metais preciosos que davam entrada nos portos espanhóis e portugueses; por isso, ir para os quintos significava ser banido para esse lugar desconhecido, remoto, que era o Brasil, a América do Sul, nas eras coloniais, anota Antenor Nascentes)”.

Pois bem, o periódico semanal Jornal do Senado (JS) nº 108 de 30/01/06 a 05/02/06 na última página fala sobre as ONG’s. Informa que “são 1,5 milhão de pessoas empregadas nessas instituições, com salários e remunerações somando R$ 17,5 bilhões”! Entendeu? Leu direito? Acreditou? Não? Bem, se não foi erro de digitação (ou erro de pauta: quem mandou publicar isso?!), significa que “$ão 1.500.000 de pessoas empregada$ ne$$a$ in$tituiçõe$, com $alário$ e remuneraçõe$ que, $omado$, dá 17.500.000.000,00 de REA!$”!!! Dividindo todo e$$e dinheiro por todo e$$e pe$$oal, dá R$11.666,66.... de $alário MÉD!O por PE$$OA! E se é médio, é porque tem gente que ganha menos e também há quem ganhe mai$ (ou muito mais) do que tudo I$$O todo me$!!!

Veja bem, o que o JS escreveu lá foi SALÁRIOS E REMUNERAÇÕES, portanto é isso mesmo: quase doze paus de salário médio! E eu me lascando para pagar aquelas pauladas (no bolso e na cabeça) que são as minhas contas e despesas quando comparadas com os meus vencimentos.

O JS também diz que há dois projetos de lei em tramitação para dispor sobre a fiscalização e funcionamento das ONG’s, mas não há qualquer menção quanto à moderação de$$e$ ganho$ ab$urdo$! E ainda dizem que são sem fins lucrativos! São mesmo, é verdade. Só o mercado, que é o segundo setor, é quem visa o lucro. O Estado, que é o primeiro setor, visa o superávit e o terceiro setor (que inclui as entidades assistenciais, fundações, ..., e as organizações não governamentais - ONGs) visa as... altas remunerações! No fim das contas (olha o trocadinho, digo, trocadilho) o que todos vislumbram é o dinheiro, seja lá qual for o nome que ele tenha em cada um desses setores. Bem, acho que não preciso dizer que há pessoas bem intencionadas nesses três setores (já disse). O problema mesmo é o modo como se obtém o dinheiro e a falta de controle sobre as organizações que atuam neles!

O que é que alguém tem de tão especial assim para receber 12 mil reais de salário por trabalhar numa ONG? O salário médio nacional não chega a tanto! Quer dizer então que boa parte desse pessoal que fica pedindo dinheiro para ajudar em sua causa acaba destinando uma bolada ao próprio bolso? Que causa é esta? Quem deu os números foi o JS, eu apenas fiz a conta. Será que alguém mais se deu conta disso? Não bastasse o (des)governo brasileiro gastar muito e gastar mal, não bastasse os desvios de verbas, não bastasse os muitos e altos impostos, taxas e contribuições (perante a Receita Federal somos chamados contribuintes, mas somos obrigados a pagar até as contribuições!) não bastasse tantas outras coisas semelhantes a isso tudo, agora vem essa forma despudorada de ganhar uma bruta grana graças à desgraça alheia (perdoe a aliteração)?! É muito pra cabeça... CabooONG!!

Pensando bem, hoje aqui não é mais o quinto dos infernos, nem o dois quintos dos infernos (devido à alta carga tripudiária, digo, tributária). Com tanta coisa errada que fazem nesta terra de ninguém, somada com mais essa das ONG’s (Olha que Nota Ganhamos!), isso aqui agora é o fim do mundo! E, se continuar assim, logo será o fim da picada, pois não sobrará mais droga nenhuma por aqui! Absinto muito.

Marcos

p.s.
Eu poderia terminar por aqui. A mensagem foi dada. Mas não posso deixar passar a oportunidade de tecer abaixo uma carapuça para o pessoal de ONG’s que só quer mesmo é ajudar a si mesmo e a seus amigos e parentes e ainda passar a imagem de que é uma pessoa que tem responsabilidade social. Para quem é sério desse setor e tem vocação para isso, logicamente a carapuça não servirá.

Assim, parafrasecopiandoemportuguesclaro o JS, eis os Passos para criar uma ONG (Organização da Neo-Gaita ou Olha que Nota eu Ganho) ou passos para quem quer levantar uma grana legal (como duplo sentido) por mês:

1. Convocação: se você e mais alguns parentes e amigos estão desempregados ou não estão contentes com o que ganham mensalmente (ou não foram beneficiados pelo mensalão) reúnam-se e escolham um tema para ser a fachada, digo, a razão de ser da ONG. Pode ser a defesa de um bem natural (que tal os próprios bens?) ou cultural, os direitos de um determinado grupo. Pode ser a criação de um centro educacional, esportivo, creche ou associação! Depois formem uma comissão de redação do estatuto social para apresentação da proposta.

2. Assembléia Geral: depois de escolhida a desculpa, digo, a causa pela qual a ONG lutará e depois de redigida a primeira proposta do estatuto, chame todos os intere$$ados através de uma carta convite contendo dia, hora, local, objetivos e pauta da reunião. Lembre-se que os participantes da assembléia de constituição serão os membros fundadores da associação e caberá a eles a aprovação das características da Organização da Nossa Grana e, entre outras coisas, a eleição dos primeiros dirigentes. Portanto, veja lá quem vai chamar para ser sócio, digo, membro fundador.

3. Estatuto: A comissão deve ler a proposta e distribuir uma cópia para cada um. Esse documento estabelecerá as regras do jogo: quem responde pela entidade, poderes da assembléia, diretoria, conselho fiscal,... , e, o mais importante, o destino do patrimônio.

4. Posse da Diretoria: Beleza! “É noiz”! (dica: dá para chamar pessoas para serem otários, digo, voluntários e deixar para eles o trabalho mais pesado. Aí a diretoria pode ficar só dirigindo... o belo carrão comprado com a bela grana legal).

5. Registro Legal: tem que ter papelada, ou você acha que ganhar uma grana legal é moleza? Tem que registrar a ONG num cartório de registro civil de pessoa jurídica. Tem que levar duas vias do estatuto, duas vias da ata da assembléia geral com a eleição dos dirigentes e termos de posse; e o requerimento de registro... tudo com assinaturas. Pagar as taxas e registrar o livro de atas e os estatutos e publicar um extrato deles no Diário Oficial.

Os passos estão aí. Não é fácil, pois tem de prestar contas e tudo mais. Mas se for comparar com os outros três (isso mesmo três: o terceiro e mais dois. O quarto ninguém notou ainda) setores, até que é bico, senão vejamos:

Primeiro Setor, o Estado: o mais fácil é candidatar-se a vereador de uma cidadezinha do interior. Mas o salário não é lá aquelas coisas. E para ser vereador de cidades maiores precisa ter um bom cacife e uma costa quente daquelas. Para os outros cargos dessa carreira (deputado, senador e presidente), quanto mais alto, mais difícil! Só dá mesmo para quem já está nesse mercado.

Segundo Setor, o Mercado: pra ganhar 12 mil reais por mês nesse setor, só se for muito bom e exercer uma função muito especial ou rara.

“Quarto Setor”, o crime organizado: esse é o mais complicado de todos, pois envolve uma grande capacidade empreendedora e organizacional. É preciso ter agentes nos três poderes do primeiro setor e em alguns segmentos do segundo, como o financeiro, agrícola, metalúrgico, transportes, turismo e entretenimento. Crime Organizado é assim: organizado! Tem gerente e tudo! Ou você queria que fosse crime esculhambado?

Analise e veja onde quererá seguir carreira, o terceiro setor tá na crista do galo, digo, da onda agora!

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